A Historia Secreta do Mundo – Jonathan Black

Esta é uma história do mundo que durante séculos foi ensinada em algumas sociedades secretas. Pode parecer louca de uma perspectiva atual, mas mereceu a confiança de uma parcela extraordinariamente grande de homens e mulheres que fizeram história. Os historiadores do mundo antigo nos contam que os templos públicos em lugares como Tebas, Eleusis e Éfeso, dos primórdios da civilização egípcia ao colapso de Roma, tinham recintos sacerdotais fechados. Os estudiosos clássicos se referem a estes recintos como as escolas de Mistérios. Lá, as técnicas de meditação eram ensinadas à elite política e cultural. Seguindo anos de preparação, Platão, Ésquilo, Alexandre o Grande, César Augusto, Cícero e outros foram iniciados numa filosofia secreta. Em diferentes épocas, as técnicas usadas por estas “escolas” envolviam privação sensorial, exercícios respiratórios, danças sagradas, teatro, drogas alucinógenas e diferentes maneiras de redirecionar a energia sexual. Estas técnicas pretendiaminduzir estados alterados de consciência durante os quais os iniciados podiam ver o mundo de novas maneiras. Qualquer um que revelasse a estranhos o que aprendera dentro dos recintos era executado. Iamblico, filósofo neoplatonista, registrou o que aconteceu a dois rapazes que moravam em Éfeso. Numa noite, incitados por boatos de fantasmas e práticas mágicas, de uma realidade mais intensa e resplandecente no interior dos recintos, eles se deixaram levar pela curiosidade. Sob o manto da escuridão, escalaram os muros e caíram do outro lado. Seguiu-se um pandemônio que pôde ser ouvido em toda a cidade. Pela manhã, os corpos deles foram encontrados diante dos portões do recinto. No mundo antigo, os ensinamentos das escolas de Mistérios eram guardados com o mesmo rigor comque são guardados os segredos nucleares de hoje.


No século III, os templos do mundo antigo foram fechados à medida que o cristianismo tornou-se a religião dominante do Império Romano. Tratou-se o perigo da “disseminação” declarando-se estes segredos como heréticos, e sua divulgação passou a ser crime capital. Mas, como veremos, os membros da nova elite governante, inclusive os líderes da Igreja, agora começavam a formar sociedades secretas. A portas fechadas, eles continuaram a ensinar os segredos antigos. Este livro reúne evidências que mostram que uma filosofia antiga e secreta, com origem nas escolas de Mistérios, foi preservada e alimentada ao longo dos séculos pelas sociedades secretas, o que inclui os Cavaleiros Templários e os Rosa-cruzes. Em determinados períodos esta filosofia ficou oculta do público, mas em outros momentos foi colocada à plena vista de todos – embora sempre de uma maneira que não poderia ser reconhecida pelos leigos. Tome como exemplo o frontispício de A história do mundo, de Sir Walter Raleigh, publicado em 1614, em exposição na Torre de Londres. Milhares de pessoas passam diariamente em fila por ele, deixando de ver a cabeça de bode e outras mensagens codificadas do desenho. Se um dia você se perguntou por que o Ocidente não tem o equivalente ao sexo tântrico exposto nos muros de monumentos hindus, como nos templos de Khajuraho na Índia Central, pode ser que lhe interesse saber que uma técnica análoga – a arte cabalística do karezza – está codificada em grande parte da literatura e da arte ocidentais. Veremos também que os ensinamentos secretos sobre a história do mundo influenciam a política externa do atual governo norte-americano com relação à Europa Central. Será que todo papa é mesmo católico? Bem, não da forma simplista que você pode pensar. Numa manhã de 1939, um jovem de 21 anos estava andando pela rua quando um caminhão se aproximou dele e o atropelou. Enquanto estava em coma, ele teve uma experiência mística esmagadora. Quando voltou a si, reconheceu que essa experiência, embora tenha surgido de forma inesperada, era o que ele havia sido levado a esperar como fruto das técnicas que lhe foram ensinadas por seu mentor, Mieczslaw Kotlorezyk, um mestre rosa-cruz dos dias de hoje. Como conseqüência dessa experiência mística, o jovem se uniu a um seminário, tornou-se posteriormente bispo da Cracóvia e mais tarde o papa João Paulo II.

Hoje em dia, o fato de o ex-chefe da Igreja católica ter sido iniciado no reino espiritual sob a égide de uma sociedade secreta talvez não seja tão chocante como era no passado, pois a ciência assumiu o lugar da religião como principal agente de controle social. É a ciência que decide no que devemos acreditar — e o que ultrapassa esses limites. Tanto no mundo antigo como na era cristã, a filosofia secreta foi mantida em segredo, ameaçando com a morte os que a divulgavam. Agora, na era póscristã, a filosofia secreta ainda é cercada de pavor, mas a ameaça é de “morte social”, não de execução. A crença em seus principais dogmas, como o incitamento por parte de seres desencarnados ou que o curso da história é materialmente influenciado por cabalas secretas, foi rotulado de birutice, na melhor das hipóteses, e na pior é a própria definição do que é a loucura. Nas escolas de Mistérios, os candidatos que desejavam ingressar eram obrigados a cair num poço, sofriam a provação da água, eram espremidos por uma porta muito pequena e travavam discussões de lógica truncada com animais antropomórficos. Isso lembra algo ao leitor? Lewis Carroll é um dos muitos escritores de histórias infantis — outros são os irmãos Grimm, Antoine de Saint-Exupéry, C. S. Lewis e os criadores de O mágico de Oz e Mary Poppins — que acreditavam na história e na filosofia secretas. Com um misto de prosaísmo desordenado e pueril, estes escritores procuraram solapar o bom-senso, a visão materialista da vida. Eles queriam ensinar as crianças a pensar às avessas, a olhar tudo de cabeça para baixo e pelo avesso, e a se libertarem das formas estabelecidas e fixas de pensamento. Entre outros espíritos irmãos estão Rabelais e Jonathan Swift. A obra deles tem um aspecto desconcertante: o sobrenatural não é uma questão crucial, é simplesmente um fato básico. Os objetos imaginários são considerados ao menos tão reais quanto os objetos comuns do mundo físico. Satíricos e céticos, estes escritores um tanto iconoclastas solapam os pressupostos dos leitores e subvertem as atitudes realistas.

A filosofia esotérica não é declarada de maneira explícita em nenhum lugar de Gargântua e Pantagruel ou em As viagens de Gulliver, mas basta cavar um pouco para trazê-la à luz do dia. Este livro mostra que um número espantoso de pessoas famosas, em toda a história, cultivou emsegredo a filosofia esotérica e os estados místicos ensinados nas sociedades secretas. Pode-se argumentar que, como tais pessoas viviam em épocas nas quais nem o mais instruído dos cidadãos desfrutava de todos os benefícios intelectuais proporcionados pela ciência moderna, é perfeitamente natural que Carlos Magno, Dante, Joana d’Arc, Shakespeare, Cervantes, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Milton, Bach, Mozart, Goethe, Beethoven e Napoleão tivessem crenças que hoje são desacreditadas. Mas seria de surpreender que muitos nos tempos atuais ainda sustentem o mesmo conjunto de crenças, não só os loucos, os místicos solitários ou os escritores de obras fantasiosas, mas os fundadores do método científico moderno, os humanistas, os racionalistas, os libertadores, secularizadores e flagelos da superstição, os modernistas, os céticos e os trocistas? Seria possível que as mesmas pessoas que tanto fizeram para formar a visão de mundo materialista e cientificista de hoje acreditassem secretamente em outra coisa? Newton, Kepler, Voltaire, Paine, Washington, Franklin, Tolstói, Dostoiévski, Edison, Wilde, Gandhi, Duchamp: seria verdade que eles foram iniciados em uma tradição secreta, que aprenderam a crer no poder da mente sobre a matéria e que eles eram capazes de se comunicar com espíritos incorpóreos? Os biógrafos recentes destas personalidades não mencionam evidências de que eles estavaminteressados nesse tipo de idéia. Quando feita no presente ambiente intelectual, em geral a menção é menosprezada, tais atividades são consideradas um passatempo, uma aberração temporária, idéias divertidas com que as personalidades podem ter brincado ou usado como metáforas para seu trabalho, mas nunca levaram a sério. Porém, como veremos, Newton sem dúvida alguma foi um alquimista praticante em toda sua vida adulta e considerava a alquimia seu trabalho mais importante. Voltaire participou de magia cerimonial em todos os anos em que dominou a vida intelectual da Europa. George Washington invocou um grande espírito no céu quando fundou a cidade que teria seu nome. E quando Napoleão disse que era guiado pelos astros, não era mera figura de linguagem; ele falava do grande espírito que lhe mostrou seu destino e o tornou invulnerável e majestoso. Um dos objetivos deste livro é mostrar que, longe de serem modas passageiras ou excentricidades enigmáticas, tampouco incidentais ou irrelevantes, estas idéias estranhas formaram a filosofia essencial de muitas pessoas que fizeramhistória – e, talvez mais importante do que isso, um de seus objetivos é mostrar que eles compartilhavam uma unanimidade extraordinária de propósitos. Se você tecer as histórias destes grandes homens e mulheres numa narrativa histórica contínua, fica evidente, repetidas vezes, que nos momentos decisivos da história a filosofia antiga e secreta estava presente, oculta nas sombras, fazendo sua influência ser sentida. Na iconografia e estatuária do mundo antigo, a partir da época de Zaratustra, o conhecimento da doutrina secreta das escolas de Mistérios era denotado pelo ato de segurar um pergaminho enrolado. Como veremos, esta tradição continuou nos tempos modernos e hoje as esculturas públicas das cidades do mundo mostram como sua influência se disseminou amplamente. Não há necessidade de viajar a lugares distantes como Rennes-le-Château, à capela Rosslyn ou a remotas fortalezas do Tibete para encontrar símbolos ocultos de um culto secreto. No final deste livro, o leitor verá que estes vestígios estão à nossa volta, em nossas construções e monumentos mais proeminentes, emigrejas, na arte, nos livros, na música, no cinema, nos festivais, no folclore, nas próprias histórias que contamos a nossos filhos e até nos nomes dos dias da semana.

Dois romances, O pêndulo de Foucault e O código da Vinci, popularizaram a idéia de uma conspiração de sociedades secretas que visam controlar o curso da história. Estes romances preocupam as pessoas que ouvem boatos intrigantes de uma filosofia antiga e secreta, partem em sua trilha e são engolidos por ela. Alguns acadêmicos, como Frances Yates, do Warburg Institute, Harold Bloom, professor Sterling de ciências humanas em Yale, e Marsha Keith Suchard, autora do recente e inovador livro Why Mrs Blake Cried: Swedenborg, Blake and the Sexual Basis of Spiritual Vision, pesquisaram a fundo e escreveram com sensatez, mas a tarefa deles é assumir uma abordagem moderada. Se tivessem sido iniciados por homens mascarados, feito jornadas a outros mundos e vissem o poder da mente sobre a matéria, eles nada revelariam. Os ensinamentos mais ocultos das sociedades secretas só são transmitidos oralmente. Outras partes são escritas numa forma deliberadamente obscura que impossibilita a compreensão dos leigos. Por exemplo: é possível deduzir a doutrina secreta do longo e obscuro livro homônimo de Helena Blavatsky, ou dos 12 volumes da alegoria Relatos de Belzebu a seu neto – Do todo e de tudo, de G. I. Gurdjieff, ou dos seiscentos e tantos volumes dos escritos e palestras de Rudolf Steiner. Da mesma forma, você pode, em tese, decodificar os grandes textos alquímicos da Idade Média ou os tratados esotéricos de iniciados de alto nível de períodos posteriores, como Paracelso, Jacob Boehme ou Emmanuel Swedenborg, mas emtodos estes casos os escritos têm como alvo as pessoas que já lidam com o assunto. Esses textos pretendem ocultar tanto quanto revelam. Por mais de vinte anos, estive procurando por um guia conciso, confiável e claro dos ensinamentos secretos. Decidi escrever um guia eu mesmo porque estou convencido de que este livro não existe. É possível encontrar livros de edição do próprio autor e sites na internet que afirmam fazer isso. Mas, assim como colecionadores de qualquer campo, aqueles que percorrem as livrarias numa busca espiritual logo desenvolvem faro para o que é “verdadeiro”, sendo preciso apenas dar uma olhada nesses livros e sites para ver que ali não há uma inteligência norteadora, nenhum grande treinamento filosófico e muito pouca informação sólida.

Esta história, então, resulta de quase vinte anos de pesquisa. As principais fontes foram livros como Mysterium Magnum um comentário sobre o Gênesis feito pelo místico e filósofo rosa-cruz Jacob Boehme, junto com livros de seus companheiros rosa-cruzes Robert Fludd, Paracelso e Thomas Vaughan, bem como comentários modernos sobre a obra deles feitos por Rudolf Steiner e outros. Estes entram como referências em notas no final do livro e não serão considerados no corpo do texto por razões de concisão e clareza. Mas, fundamentalmente, fui auxiliado na compreensão destas fontes por um membro de algumas sociedades secretas, alguém que, no caso de pelo menos uma destas sociedades, foi iniciado ao mais alto nível. Estive trabalhando por anos como editor de uma das maiores casas editoriais de Londres, encarregado de livros sobre um amplo leque de temas mais ou menos comerciais e às vezes tambémsaciando meu interesse pelo campo esotérico. Desta forma, conheci muitos autores importantes que trabalham neste campo. Um dia entrou em minha sala um homem que era claramente de uma ordem de existência diferente. Tinha uma proposta de negócios, segundo a qual devíamos reeditar uma série de clássicos esotéricos – textos alquímicos e semelhantes – para os quais ele escreveria novas introduções. Logo estabelecemos uma sólida amizade e passamos muito tempo juntos. Descobri que podia lhe fazer perguntas sobre quase qualquer coisa e ele me contaria o que sabia – coisas surpreendentes. Hoje acredito que ele estava me educando, preparando-me para a iniciação. Em várias ocasiões, tentei convencê-lo a registrar essas idéias no papel, a escrever uma teoria esotérica de tudo. Ele se recusou repetidas vezes, afirmando que, se o fizesse, “os homens de casaco branco apareceriam e me levariam”, mas também desconfiei de que publicar essas coisas seria, para ele, quebrar juramentos solenes e apavorantes. Assim, de certo modo, escrevi o livro que eu desejava que ele escrevesse, baseado em parte nos textos rosa-cruzes que ele me ajudou a entender. Ele também me apresentou a fontes encontradas em outras culturas.

Assim como as vertentes cabalística, hermética e neoplatônica que estão relativamente próximas da superfície da cultura ocidental, há também neste livro elementos sufis e idéias que fluem do hinduísmo e do budismo esotéricos, além de algumas fontes celtas. Não é meu desejo exagerar as semelhanças entre estas várias vertentes, nem pertence ao escopo deste livro identificar todas as formas em que esta miríade de vertentes se fundiram, separaram-se e fundiram-se de novo ao longo do tempo. Irei me concentrar no que está por baixo das diferenças culturais, naquilo que sugere que essas vertentes levam a uma visão unificada de um cosmo que contém dimensões ocultas e a uma visão da vida em obediência a determinados mistérios e leis paradoxais. De modo geral, as diferentes tradições de todo o mundo se iluminam de forma mútua. É maravilhoso ver como as experiências de um eremita no monte Sinai no século II ou de um místico alemão medieval combinam com aquelas de swamis indianos do século XX. Como os ensinamentos esotéricos são muito mais profundamente ocultos no Ocidente, em geral uso exemplos orientais para auxiliar na compreensão da história secreta do Ocidente. Não pretendo discutir os possíveis conflitos entre tradições diferentes. A tradição indiana dá muito mais ênfase à reencarnação do que a tradição sufi, que fala de apenas algumas. Assim, pelo bem da narrativa, cheguei a um meio termo, incluindo apenas um pequeno número de reencarnações de personalidades históricas famosas. Também fiz juízo arbitrário sobre que escolas de pensamento e que sociedades secretas beberam na tradição autêntica. Assim, a cabala, o hermetismo, o sufismo, os templários e a antroposofia estão aqui incluídos, mas a cientologia, a ciência cristã de Mary Baker Eddy, junto com um monte de material contemporâneo “psicografado”, não estão. Não digo com isso que este livro fuja da controvérsia. As tentativas anteriores de identificar uma “filosofia perene” tendiam a sugerir coleções de chavões — “todos somos iguais sob a pele”, “o amor é nossa própria recompensa” — e é difícil discordar delas. A qualquer um que espere algo similarmente aprazível, devo me desculpar de antemão. Os ensinamentos que identificarei como comuns às escolas de Mistérios e sociedades secretas de todo o mundo deixarão muita gente ultrajada e insultarão o bom-senso.

Um dia, meu mentor me disse que eu estava pronto para a iniciação, que ele me apresentaria a algumas pessoas. Estive ansiando por este momento durante muito tempo. Porém, para minha surpresa, declinei. Emparte por medo, sem dúvida. Eu sabia na época que muitos rituais de iniciação envolviam estados alterados de consciência, até o que às vezes chamamos de experiências “após a morte”. Mas também foi em parte porque eu não queria que me dessem todo esse conhecimento. Eu queria continuar desfrutando das tentativas de descobri-lo por mim mesmo. E também não queria fazer um juramento que me proibisse de escrever. Esta história do mundo é estruturada da seguinte maneira: os quatro primeiros capítulos tratarão do que aconteceu “no início”, de acordo com os ensinamentos de sociedades secretas, inclusive o que é proposto no ensinamento secreto da expulsão do Éden e da Queda. Estes capítulos pretendem tambémrepresentar um relato da visão de mundo das sociedades secretas, uma espécie de Sculos conceituais – assim os leitores poderão apreciar melhor o que se segue. Nos sete capítulos seguintes, muitas figuras dos mitos e das lendas são tratadas como figuras históricas. Esta é a história do que aconteceu antes do início dos registros escritos, ensinada nas escolas de Mistérios, e ainda é ensinada nas sociedades secretas de hoje. O Capítulo 8 inclui a transição para o que convencionalmente se considera o período histórico, mas a narrativa continua a contar histórias de monstros e bestas fabulosas, de milagres, profecias e figuras históricas que conspiraram com seres desencarnados para orientar o rumo dos acontecimentos. Espero que a mente do leitor venha a ser agradavelmente vergada pelas idéias estranhas aqui apresentadas e pela revelação dos nomes das personalidades que cultivavam estas idéias. Espero também que parte destas afirmações estranhas lembrem alguma coisa, que muitos leitores venham a pensar: “Sim, isso explica por que os nomes da semana assumem a ordem que têm.

”; “É por isso que as imagens de um peixe, o aguadeiro e um bode com rabo de serpente são atribuídas em toda parte a constelações que não são nada parecidas com elas.”; “É o que de fato comemoramos no Halloween.”; “Isso explica as confissões bizarras de adoração ao diabo feitas pelos Cavaleiros Templários.”; “Foi isso que deu a Cristóvão Colombo a certeza de partir em sua viagem perigosa ao extremo.”; “Por isso foi erigido o obelisco egípcio no Central Park, em Nova York, no final do século XIX.”; “Por isso Lênin foi embalsamado.” Em tudo isso, o objetivo é mostrar que os fatos básicos da história podem ser interpretados de uma forma quase completamente oposta à maneira com que em geral os entendemos. É claro que dar provas disso exigiria toda uma biblioteca, algo como os 30 quilômetros de prateleiras de literatura esotérica e oculta que dizem estar trancadas no Vaticano. Mas neste único volume mostrarei que esta visão alternativa e especular é coerente e irrefutável, tendo sua própria lógica e a virtude de explicar áreas da experiência humana que continuam inexplicáveis para a visão convencional. Também citarei autoridades em todo o livro, proporcionando um rumo aos leitores interessados. Algumas destas autoridades trabalharam de acordo com a tradição esotérica. Outras são especialistas em suas disciplinas – ciência, história, antropologia, crítica literária – cujos resultados em seus campos específicos de pesquisa me parecem confirmar a visão de mundo esotérica, mesmo nos casos em que não tenho como saber se sua filosofia pessoal de vida tem alguma dimensão espiritual ou esotérica. Mas, sobretudo, e esta é a questão que desejo destacar, peço aos leitores que abordem este texto de uma nova maneira — que o vejam como um exercício de imaginação. Quero que o leitor procure imaginar como seria acreditar no contrário do que somos levados a acreditar. Em certo ponto, esta inevitabilidade envolve um estado alterado de consciência, e é assim que deve ser.

Pois no cerne de todo ensinamento esotérico de qualquer parte do mundo está a crença de que podemos ter acesso a formas superiores de inteligência nestes estados alterados. A tradição ocidental em particular sempre destacou o valor de exercícios de imaginação que envolvem o cultivo e a delonga em imagens visuais. Se puderem penetrar fundo na mente, elas fazem seu trabalho. Assim, embora este livro possa ser lido só como um registro das coisas absurdas em que as pessoas acreditavam, uma fantasmagoria épica, uma cacofonia de experiências irracionais, espero que ao final alguns leitores venham a ouvir algumas harmonias e talvez também sintam uma leve ressaca filosófica, a sugestão de que o que está aqui pode ser verdadeiro. É claro que qualquer boa teoria que busca explicar por que o mundo é como é também deve ajudar a prever o que acontecerá no futuro, e o último capítulo revela o que será – sempre pressupondo, é evidente, que o grande plano cósmico das sociedades secretas será bem-sucedido. Este plano abrangerá uma crença de que o novo grande impulso para a evolução surgirá na Rússia, que a civilização européia entrará em colapso e que por fim a chama da verdadeira espiritualidade se manterá ardendo na América. Para ajudar com o trabalho sumamente importante da imaginação, há ilustrações estranhas e misteriosas integradas em todo o livro, algumas que nem foram vistas anteriormente fora das sociedades secretas. Há também ilustrações de algumas das imagens mais conhecidas da história do mundo, os maiores ícones de nossa cultura – a Esfinge, a Arca de Noé, o Cavalo de Tróia, a Mona Lisa, Hamlet e o crânio -, pois todas revelaram, de acordo com as sociedades secretas, significados estranhos e inesperados. Por fim, há ilustrações de artistas europeus modernos como Ernst, Klee e Duchamp, assim como de proscritos americanos como David Lynch. A obra deles também se revela imersa na filosofia antiga e secreta. Induza-se a um estado mental diferente e as histórias mais famosas e mais conhecidas assumem umsignificado muito diferente. Na realidade, se algo nesta história é verdade, então tudo que seus professores lhe ensinaram é colocado em dúvida. Desconfio de que esta perspectiva não o alarma. Como um dos devotos da filosofia antiga e secreta afirmou de forma tão memorável, “Você deve ser louco, ou não teria vindo aqui”.

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